Antes de analisar a relação das redes
sociais com a política é necessário entender o que, de fato, é uma rede social.
Muitos acham que Facebook, Twiter, Orkut são redes sociais mas o que sempre
ressalto é que as redes são formadas por pessoas. Muito antes do grande avanço
das tecnologias de comunicação as redes já existiam, sempre existiram.
Um grupo social é composto por um conjunto
de pessoas que possuem algum elemento em comum, que os unem e lhes confere
unidade. Já uma rede é uma estrutura social composta por vários tipos de
relações em que um indivíduo pode participar de vários grupos sociais ao mesmo
tempo compondo uma estrutura dinâmica e tecnicamente ilimitada.
Cada ponto, cada membro de uma rede,
pode apresentar uma infinidade de conexões com outros pontos e assim por
diante. Isso transforma a rede numa metaestrutura social extremamente complexa
e com grande potencial de articulação.
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| Rede |
Com o avanço das tecnologias de comunicação interativas, em especial a Internet, a comunicação entre as pessoas passou a ser mais rápida e dinâmica. As redes sociais passaram a ter um canal de comunicação mais eficiente e que permite a interação de pontos ou pessoas geograficamente distantes. Isso impulsionou o grande crescimento de sites de relacionamento como Facebook, Orkut e Twiter que passaram a interconectar pessoas em todo o mundo. E o reflexo disso pode ser observado em vários campos tais como na economia, no comércio, na educação e, por que não, na política.
Um exemplo bem recente do potencial das
redes sóciais na política vem do Egito que está enfrentando uma série de
protestos políticos há alguns meses. A causa desses protestos, que estão
gerando atos violentos, está no fato de o país ser governado, de forma bastante
autoritária, há mais de 30 anos, pelo mesmo presidente. Os rebeldes estão se
organizando por meio da Internet contra as ações autoritárias do governo. Grande
prova desse fato, foi a ordem dada pelo Presidente do Egito, Mubarakpara, para cancelar o acesso às redes sociais, como
Twitter e Facebook. Tudo isso se deve ao fato que ele percebeu que essas duas
redes estariam divulgando de forma muito rápida as ideias da revolução que está
acontecendo no país. Desse modo, ele estava perdendo o controle da situação no
país.
Certamente, se houvesse Internet na época da Inconfidência
Mineira, Tiradentes teria sido bem sucedido na sua tentativa de independência. Os
inconfidentes tinham que se arriscar para se encontrar em reuniões secreta, às
escondidas, para não serem pegos pelo governo. Bem coisa de Maçonaria mesmo, que
na época exerceu fundamental importância para manter o segredo do que era
discutidos nas reuniões tidas como conspirações pró-independência.
Os dois exemplos mostram a semelhança entre os movimentos em busca da liberdade que são separados por mais de 200 anos.
Ambos apresentam motivações semelhantes. Ambos apresentam formação de redes
sociais, e aqui, como exemplo, a organização das maçonarias como uma grande rede
social que se perpetua até os dias atuais. O que difere os dois movimentos é o
potencial de comunicação dessas redes. As reuniões escondidas dão lugar ao
anonimato na Internet e conseguem alcançar um número muito maior de indivíduos.
Tendo
entendido que uma rede social é uma forma de organização social, complexa,
autônima e composta por indivíduos que compartilham características ou
objetivos comuns, podemos entender como aconteceu o movimento tido por alguns analistas políticos como revolução democrática na cidade de Piracanjuba, interior de Goías, onde um
grupo de pessoas se uniu para eleger um prefeito sem base política, sem grandes
recursos financeiros e sem apoio da elite local.
Obviamente uma rede social não pode ser
forjada, criada por vontade ou interesse de uma pessoa ou um pequeno grupo. Se
um poderoso tentar criar uma rede social, pode até conseguir influenciar
algumas pessoas que estão mais próximas a ele. Porém o fator de unidade que é a
ligação direta com esse indivíduo vai se enfraquecendo e se perdendo quanto
mais a rede se distancia dele.
Uma rede precisa ter um objetivo agregador que
seja forte o suficiente para garantir a unidade do grupo e que a sua força seja
renovada a cada ponto. E em Piracanjuba o elemento agregador foi a esperança de
renovação da estrutura política local diante da estagnação econômica do
município nas duas ultimas décadas geridas pela elite local. Engana-se quem
acha que o fator agregador são os candidatos. Certamente Amauri Ribeiro foi
quem melhor incorporou esse objetivo em sua proposta de governo, especialmente
pelo fato de não possuir nenhuma coligação com a tradicional estrutura política
local, que impulsionou a sua candidatura e a sua vitória nas eleições
municipais de 2012.
A dinâmica da rede é complexa, autônoma
e imprevisível. Antes a interação dos candidatos com seus eleitores se davam
por meio de Rádio, TV e impressos, sendo uma comunicação unidirecional. Agora,
com a Internet, a interação é multidirecional. O candidato pode até criar uma
página, uma fanpage, campanhas publicitárias, mas nem toda a comunicação está
sob o seu controle. Na Internet todos têm direito à palavra, a relação é
horizontal, bem diferente das campanhas anteriores que apenas o candidato tinha
o microfone nas mãos.
O fator “imprevisibilidade” também é
importante uma vez que não se tem controle do que as pessoas publicam na
Internet. Assim imagens, textos, fotos, gráficos, piadinhas e boatos se
espalham rapidamente pela rede. Destaco novamente que a rede não se limita à
Internet, tudo que acontece nela tem reflexo imediato nas ruas. Cheguei a
presenciar algumas piadinhas que nasceram na Internet e eram retransmitidas por
SMS para outros pontos da rede ou ditas oralmente pelas ruas. Para entreter a leitura,
segue uma dessas piadinhas:
“O candidato A
disse à sua esposa que no dia 8 de outubro ela amanheceria com o novo prefeito.
Ela então respondeu: Mas você vai deixar
eu dormir com aquele chapeludo?” (Autor desconhecido, veiculado pela Internet,
SMS e oral)
Ainda falando de “imprevisibilidade”,
este é um elemento que pode impulsionar ou afundar completamente um candidato. Outro
exemplo marcante que, certamente, prejudicou muito a imagem e a candidatura do
candidato PMDBista, foram os constantes ataques feitos aos candidatos
adversários. Não se sabe ao certo se as pessoas que fizeram esses ataques estavam
ou não ligadas à coordenação de campanha, mas faziam parte da sua rede de apoio.
Na tentativa de recuperar a liderança
nas pesquisas, a rede de apoio em torno do candidato PMDBista lançou na
Internet uma infinidade de boatos e mentiras sobre o candidato Amauri Ribeiro,
alguns deles usando até perfil falso para impedir a identificação dos autores. Até então uma estratégia de campanha muito
comum, não fosse a imprevisibilidade da reação da rede. Como os boatos eram
muito superficiais a coordenação de campanha adversária facilmente os
desmentira e as duas redes iniciaram um exaustivo debate que resultou na fama
de mentiroso ao candidato PMDBista. Assim o tiro saiu pela culatra e ainda
garantiu mais limões para a limonada de Amauri Ribeiro que promoveu uma grande
caminhada da "Paz contra as Mentiras".
As redes são autônomas, mas dependendo
do posicionamento dos candidatos eles podem influenciar, até certo ponto, a
ação da rede. Amauri assumiu o compromisso de não ficar cutucando as feridas
dos adversários e sempre que a sua rede de apoio fazia o contrário, ele ou
alguém da coordenação de campanha, vinha a público pedir que esse tipo de
atitude fosse evitado. Normalmente o pedido era atendido e assim foi possível,
de certa forma, moderar e garantir o alinhamento da rede de apoio com as ações
da coordenação de campanha. Porém o mesmo não aconteceu com a rede adversária,
talvez pelo anonimato das pessoas que espalhavam os boatos, não parecia haver
alinhamento com a estratégia central de campanha que era de demonstrar a
experiência do candidato. Assim o candidato PMDBista não conseguiu conduzir de
forma favorável a sua rede de apoio, na verdade pareceu mais ser conduzido por
ela rumo à derrota.
Com o crescimento do acesso à Internet,
quer queira quer não, redes sociais se formarão em torno dos candidatos. E isso
pode gerar uma onda tão grande que determine o sucesso ou o fracasso de uma
candidatura. Nunca antes na história a democracia fora tão ampla quanto nos
tempos atuais e certamente a facilidade de interação da população levará a
políticas a mudanças ainda mais profundas. Estratégias antigas precisarão ser
renovadas pois o eleitor já não é mais o mesmo que antes.




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