Eu participei de um momento histórico em Piracanjuba.
Inspirados na frase de Margaret Mead, “nunca duvide que um pequeno grupo de
pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim
que o mundo mudou”, um pequeno grupo de
pessoas usando chapéus fez uma verdadeira revolução democrática rompendo com décadas de hegemonia da oligarquia agrária no
município de Piracanjuba, interior de Góias.
Enquanto
alguns acham que essa foi apenas uma disputa entre dois candidatos a prefeito
de um pequeno município, a avaliação política desse feito transcende e muito as
pequenas fronteiras dos rios Meia-Ponte e Piracanjuba. Trata-se de um
microcosmo que representa as mudanças do cidadão diante da política
contemporânea marcadas pela forte articulação popular.
Em um
município marcado historicamente pelo elitismo em diversas gestões municipais,
a população se organiza em forma de uma rede social, coesa e determinada, em
prol de eleger um candidato que representa os anseios desse grupo. E mesmo
contra todas as expectativas e incertezas, esse grupo conseguiu mostrar que o
poder do estado não está no dinheiro dos poderosos e sim no voto da maioria.
Mostra que o eleitorado vem amadurecendo a cada dia e o que antes eram
“gado tocado pelos coronéis” em verdadeiros “currais eleitorais” hoje tem
opinião, sabem do poder que têm nas mãos e o exercem.
Nas
eleições de 2012 em Piracanjuba tivemos 5 candidatos a prefeito, sendo a
disputa principal ocorrendo entre os candidatos Nauriomar Elias e Amauri
Ribeiro, que personalizam os dois lados dessa disputa. Naudiomar tem quase 2
décadas de história política, gestor experiente, com um currículo invejável, já
foi prefeito do município e secretário estadual tendo ainda nessa eleição o
forte apoio dos grandes produtores irrigantes do município personificado na
figura do seu vice Donizete Peixoto. Do outro lado Amauri, um iniciante na
política local, apresentando como histórico apenas um mandato ainda incompleto
de vereador, mandato este marcado pela forte oposição ao então prefeito Ricardo
de Pina. Amauri aparece ao seu lado com um vice politicamente desconhecido,
Claudiney Machado, um jovem tido como exemplo de honestidade e de trabalho pelo
próprio Amauri e sem nenhum apoio político ao seu lado.
Além
desses personagens, também protagonizaram o cenário político duas redes sociais
que se formaram em torno dos candidatos. Duas redes ativas que apoiaram,
debateram, discutiram e duelaram entre se vestindo a camisa e tomando as dores
de cada candidato. A atuação dessas redes não aconteceu apenas na Internet, ela
se estendeu também para as ruas.
E em Piracanjuba a formação das redes
sociais em torno dos candidatos foi um fator de sucesso importante e decisivo
para essa eleição. A Internet, por sua vez marca uma mudança no formato de
interação entre as pessoas. A comunicação que antes era unidirecional por meio do
rádio (já que TV não é um meio disponível em eleições nos municípios de
interior) agora passa a ser multidirecional com o crescimento do acesso à Internet
que hoje chega a vários os locais, inclusive às comunidades rurais. E as
mudanças nos meios de comunicação impulsionam uma mudança também na forma de
fazer política, na forma de interagir com os eleitores e na forma que estes
interagem entre se.
E antes que perguntem o porquê do título “limonada”
explico, há um ditado que diz “se te dão limões faça deles limonada”. É uma
metáfora utilizada quando existe um problema que parece não haver solução mas
com inteligência os mesmo problemas podem ser transformados na própria solução.
E essa foi a estratégia de campanha utilizada. Adotou-se a estratégia de não
atacar os adversários e transformar os ataques deles em limonada.
E é nesse cenário que aconteceu a
disputa eleitoral que irei descrever com detalhes neste blog, mostrando as
estratégias utilizadas, os perigos, as amizades, as alianças, as traições, as
mentiras, as madrugadas sem lei e as emoções vivenciada nos bastidores das eleições municipais de 2012 em Piracanjuba-Go.
Nenhum comentário:
Postar um comentário